Embarque sob chuva gera polémica e expõe falhas na comunicação da Aeroportos de Moçambique

A denúncia feita pelo activista social e director executivo do Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD), Adriano Nuvunga, sobre o embarque de passageiros sob chuva no Aeroporto Internacional de Maputo reacendeu o debate em torno da qualidade dos serviços aeroportuários e da transparência na gestão das infra-estruturas públicas.
Na sequência da polémica, a empresa Aeroportos de Moçambique (ADM) veio a público, através de uma nota de esclarecimento, garantir que as mangas aeroportuárias — vulgarmente conhecidas como “pontes” que ligam o terminal às aeronaves — encontram-se plenamente operacionais.
Segundo a informação a que o Jornal Visão Moçambique teve acesso, a ADM reconhece que, na manhã do incidente, a cidade de Maputo registou precipitação no exacto momento em que decorria o processo de embarque de um voo da companhia Airlink. No entanto, a empresa nega que o embarque sob chuva tenha resultado de avaria das mangas.
De acordo com a gestora aeroportuária, o voo em causa foi operado por uma aeronave do tipo Embraer-145, incompatível tecnicamente com as mangas existentes no aeroporto. A ADM sustenta que as infra-estruturas estão em perfeito estado de funcionamento, contrariando a narrativa divulgada nas redes sociais.
Contudo, a situação levanta questionamentos sobre a planificação operacional das companhias aéreas e a fiscalização exercida pela entidade gestora. Especialistas ouvidos pelo Visão Moçambique consideram que, mesmo em casos de incompatibilidade técnica, deveriam existir soluções alternativas eficazes para evitar a exposição dos passageiros a condições climáticas adversas.
A ADM esclarece que a decisão de utilizar ou não as mangas depende também da opção da companhia aérea, manifestada no checklist operacional, em coordenação com a empresa de handling. Ou seja, mesmo quando tecnicamente possível, a utilização das mangas não é automática, ficando sujeita a critérios operacionais e financeiros.
Este modelo de gestão levanta dúvidas quanto à priorização do conforto e segurança dos passageiros, sobretudo num contexto em que o aeroporto de Maputo é a principal porta de entrada do país.
Na nota, a ADM refuta as acusações de inoperacionalidade das mangas, mas não esclarece se existem mecanismos de fiscalização para garantir que as companhias aéreas cumpram padrões mínimos de qualidade no atendimento aos passageiros.
Para analistas, o episódio evidencia fragilidades na comunicação institucional e a necessidade de maior transparência por parte da ADM, num sector estratégico para o turismo e para a imagem do país.
O Jornal Visão Moçambique continuará a acompanhar o caso e a ouvir as partes envolvidas, incluindo a companhia aérea Airlink e a empresa de handling responsável, de modo a apurar responsabilidades e perceber se situações semelhantes têm ocorrido com frequência.

Ângelo Zacarias Manhengue

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