Muchanga Afirma Ter Sido Ofendido por Ossufo Momade Após Uso de Vassouras Supostamente Provenientes de Curandeiros na Campanha Eleitoral

A Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) volta a enfrentar um período de forte instabilidade interna, na sequência de acusações públicas feitas por António Muchanga, membro sénior do partido e antigo deputado da Assembleia da República, que responsabiliza diretamente o presidente da formação política, Ossufo Momade, por decisões que considera ofensivas, desastrosas e politicamente prejudiciais durante o processo eleitoral de 2024.
Em declarações prestadas na cidade da Matola, António Muchanga afirmou ter-se sentido profundamente ofendido pela postura assumida por Ossufo Momade, acusando-o de ter permitido a utilização de símbolos associados a práticas de curandeirismo, nomeadamente o transporte de vassouras, como parte da estratégia de campanha eleitoral. Segundo Muchanga, tal opção contribuiu para a descredibilização da RENAMO junto do eleitorado e comprometeu seriamente a sua imagem histórica enquanto força política organizada e credível.
Estratégias contestadas e impacto nos resultados eleitorais
Na avaliação de Muchanga, os resultados das eleições gerais de 2024 confirmam o fracasso da estratégia adotada pela atual liderança. A RENAMO registou uma perda significativa de assentos na Assembleia da República, facto que, no seu entender, demonstra uma clara desconexão entre a direção do partido e as expectativas reais dos eleitores.
“O partido não ganhou absolutamente nada com essas práticas. Pelo contrário, perdemos representação parlamentar e enfraquecemos ainda mais a nossa posição política”, afirmou Muchanga, acrescentando que as decisões em causa terão sido tomadas sem uma consulta ampla às bases do partido, nem aos seus quadros mais experientes.
Apelo à responsabilização e exigência de desculpas públicas
Face ao impacto negativo das decisões tomadas durante o processo eleitoral, António Muchanga defende que o presidente da RENAMO deve apresentar desculpas públicas aos membros, simpatizantes e combatentes desmobilizados do partido. Para o antigo deputado, a atual gestão política está marcada por erros graves, ausência de autocrítica e desrespeito pelos valores fundadores da organização.
Muchanga considera ainda que a persistente falta de responsabilização da liderança contribui para o agravamento da crise interna e reforça a necessidade de mudanças profundas na condução dos destinos do partido.
Encontro na Matola antecede conferência nacional decisiva
As declarações foram proferidas durante um encontro realizado na cidade da Matola, que reuniu desmobilizados de guerra da RENAMO e membros influentes da Comissão de Gestão Partidária. O evento decorreu na véspera da realização da Primeira Conferência Nacional, apontada por diversos analistas como um momento determinante para o futuro da formação política.
Conferência nacional visa redefinir liderança e estratégia política
A Primeira Conferência Nacional tem como principais objetivos a convocação de um congresso extraordinário, a apresentação oficial da Comissão de Gestão Partidária a nível nacional e a definição de uma nova estratégia política para a RENAMO.
Na prática, a iniciativa surge como uma tentativa clara de pôr termo à liderança de Ossufo Momade, que enfrenta crescente contestação interna desde a morte do histórico líder Afonso Dhlakama. Para vários membros do partido e observadores políticos, a atual direção é considerada incapaz de preservar a identidade política da RENAMO e de responder de forma eficaz aos desafios eleitorais e organizacionais que o partido enfrenta.
À medida que se aproxima o congresso extraordinário, a RENAMO entra numa fase crucial da sua história, marcada por divisões internas profundas, acusações de má liderança e um intenso debate sobre o futuro de um partido que, durante décadas, se afirmou como a principal força da oposição em Moçambique.

Ângelo Zacarias Manhengue

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