SERNIC e UIR desencadeiam operação contra venda de acessórios “batidos” no Mercado Estrela Vermelha

O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), em coordenação com a Unidade de Intervenção Rápida (UIR), está a realizar uma operação de grande envergadura no Mercado Estrela Vermelha, na cidade de Maputo, com vista à recolha de acessórios automóveis considerados “batidos”, termo popularmente associado a peças roubadas ou de proveniência ilícita.
A ação, iniciada nas primeiras horas do dia, enquadra-se numa estratégia mais ampla de combate ao furto e roubo de viaturas, bem como à comercialização ilegal de componentes automóveis.
Segundo fonte oficial do SERNIC, a operação resulta de um trabalho prévio de investigação e monitoria levado a cabo nos últimos meses.
“Temos estado a acompanhar informações que indicavam a existência de um circuito organizado de venda de peças provenientes de viaturas furtadas. Esta intervenção visa desmantelar essas redes e responsabilizar criminalmente os envolvidos”, afirmou a fonte.
Durante a operação, várias bancas foram alvo de inspeção, tendo sido apreendidos diferentes acessórios cuja origem está agora sob verificação pericial. Entre os artigos recolhidos constam faróis, retrovisores, para-choques e componentes eletrónicos.
Por sua vez, uma fonte ligada à UIR explicou que a presença da unidade no terreno visa garantir a ordem e prevenir eventuais situações de resistência.
“A nossa missão é assegurar que a operação decorra com tranquilidade, protegendo os agentes envolvidos e os cidadãos que circulam no mercado”, referiu.
O Mercado Estrela Vermelha é um dos principais pontos de comercialização informal de peças automóveis na capital, sendo frequentemente apontado como destino de produtos de origem duvidosa. Contudo, vários vendedores defendem-se, alegando que adquirem os seus produtos junto de fornecedores regulares.
Um comerciante ouvido no local, que preferiu o anonimato, afirmou:
“Nem todas as peças aqui vendidas são roubadas. Há fornecedores legais. O problema é que pagamos todos pelos erros de alguns.”
As autoridades indicam que, após a triagem e perícia técnica, os materiais cuja proveniência ilícita for confirmada serão integrados em processos-crime. Os suspeitos poderão responder por crimes de receptação e associação para delinquir, nos termos da legislação penal moçambicana.
O SERNIC assegura que operações semelhantes poderão ser replicadas noutros pontos da cidade, numa tentativa de travar o mercado paralelo de acessórios automóveis e reduzir os índices de criminalidade associados ao roubo de viaturas.

Ângelo Zacarias Manhengue

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